Quantas vezes não se ouvem treinadores e jogadores a dizerem que faltou motivação? O que é a motivação afinal? É o que nos impele a agir ou a tomar uma decisão. E qualquer acção ou decisão começam pela definição de objectivos que já falei anteriormente.

AFINAL O QUE MOTIVA OS ATLETAS: A CENOURA E O CHICOTE

Só partimos para a acção ou decisão se soubermos o que queremos fazer e porquê. Motivar um jogador ou uma equipa começa então por explicitar o que se espera dele/deles. E o que devem fazer para o atingir.

Dou muitas vezes este exemplo: eu posso estar muito motivado para aprender chinês, mas se eu não tiver as condições (professor, manuais, dicionários, etc.), não me adianta nada essa motivação. Eu posso querer muito ir para um sítio mas se tiver um mapa ou GPS, só com sorte vou lá chegar. E nos entretantos a motivação vai esmorecendo.

Outra questão fundamental da motivação é o estabelecimento de metas intermédias. Os objectivos a curto, médio e longo prazo tem todos impacto na volição. Os últimos são a meta final, o desejo, o grande objectivo (ser campeão, não descer, ser melhor marcador, etc.).

NÃO SE PODE VIVER O AMANHÃ HOJE

Mas para se lá chegar, são precisas “cenouras” ou “recompensas” intermédias que vão mantendo os intervenientes animados e focados. Dividir a época em mini-ciclos com objectivos específicos é a melhor forma de manter os atletas focados a cada jogo.

NÃO SE PODE VIVER O AMANHÃ HOJE

Não se consegue viver o amanhã. Nunca. Porém, podemos viver o hoje de forma a preparar melhor o dia seguinte. É aqui que voltamos àquilo que deve ser a comunicação entre treinador-atleta.

Há quem pense que motivar é dizer a todos os atletas que vão jogar a titular e que são os melhores do mundo. Ora bem, o problema é que titulares são só x e melhores do mundo também.

Ou seja, alguém vai começar a achar que está a ser enganado e vai desmotivar. Conta-se que um certo treinador que todos os dias dizia ao guarda-redes suplente que era o melhor da Europa.

Atá ao dia em que esse guarda-redes perguntou então porque não jogava, ao que o treinador respondeu: “Tu és o melhor da Europa, mas ele é o melhor do Mundo!”.

Até pode ser anedota, mas a verdade é que na minha prática assisti a muitas variantes deste discurso. Isto não é motivar. O atleta tem de entender o seu papel e o que é esperado dele.

A motivação tem de ser intrínseca, ou seja, tem de vir de dentro. A motivação extrínseca, aquela que é impulsionada por aspectos externos, é um fogo que arde muito rápido.

MALAS DE DINHEIRO

As “malas de dinheiro” que tantas vezes se falam até podem funcionar em situações específicas mas não no médio/longo prazo. Porque qualquer estímulo que é dado frequentemente acaba por criar habituação e tornar-se um estímulo neutro.

Logo, o único tipo de motivação que funciona no longo prazo é aquela que é sustentada por conhecimento e consciência. Até em situações de desempenho mais quotidianas como perder peso ou aprender a tocar um instrumento musical.

Se a pessoa não tiver o compromisso diário de cumprir as tarefas (ainda que possa não ter prazer em correr todos os dias ou praticar escalas incessantemente), vai acabar por desmotivar e desistir.

QUAL MELHOR ESTRATÉGIA?

Então, qual a estratégia para conseguir o melhor rendimento dos atletas? As falsas promessas não é de certeza. Os gritos e insultos muito menos. Os discursos motivacionais, ou pep-talks, funcionam em certos momentos mas não se pode cair na habituação.

A melhor forma é a partilha de informação, de forma transparente. Todos os atletas querem ser titulares e serem os melhores jogadores do mundo. Mas irão respeitar mais os treinadores e dar o seu máximo se entenderem que estão a crescer como atletas.

Até os jogadores mais extrinsecamente motivados (ou seja, que jogam para os contratos ou fama) podem ser levados a estar focados nas coisas certas.

QUAL MELHOR ESTRATÉGIA?

 

Há duas estratégias que podem ser usadas ao mesmo tempo no sentido de formalizar os objectivos e ao mesmo tempo aumentar a motivação.

Aquilo que vemos ou ouvimos cola-se na memória. Por isso os objectivos ou desejos devem ser escritos ou gravados em vídeo para que os atletas sejam relembrados recorrentemente.

As metas intermédias devem ir sendo apagadas ou assinaladas para que se tenha a sensação de caminho feito. Da mesma forma, seja por escrito ou, mais usado, oralmente, deve ser firmado um compromisso entre atletas e staff (técnico, médico, dirigente, etc.) com os objectivos.

MANUTENÇÃO DE COMPORTAMENTOS

Porque há dois construtos que mais contribuem para a manutenção de comportamentos: um é o compromisso, ou seja, o quanto o atleta ou equipa estão envolvidos no objectivo e na tarefa; e o outro é a paixão (ou “grit” no termo original) que cada atleta e equipa coloca em cada momento.

Só quando há estas duas, é que se vai dar aqueles 10% a mais (a chamada “superação”) em relação aos outros. Como é óbvio, o treinador pode fomentar isto, mas não pode obrigar nem um nem outro.

É no interior de cada atleta que deve haver compromisso e paixão. São os atletas e equipas mais compromissadas que sustém a motivação e alcançam as metas.

Um último aspecto em relação aos objectivos é que estes podem ser reformulados. Não é uma ciência exacta conseguir estabelecer objectivos a médio e longo prazo.

Não podem andar a ser reformulados todas as semanas mas podem ser revistos, seja em termos de exigência ou em termos de prazos.

Obviamente, essa reformulação também poderá ser uma forma de manter ou aumentar a motivação conforme os casos. Terá que ser o treinador a definir essas novas metas, com o acordo da equipa como já vimos.

CONCLUSÃO

Em resumo, motivar para um momento específico é fácil. Seja no grito, na emoção, etc. Agora para o longo prazo, só vai lá com a razão,com o conhecimento,com o compromisso entre todos, com o GPS. Explicitar o que se espera e como lá chegar.

Aí sim, se pode potenciar e manter a motivação. Há muitos estilos de liderança (que falarei noutro artigo), mas mais do que “cenouras” ou “chicotes”, a melhor forma de manter os atletas motivados é envolvendo-os no processo.

 

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