Aposto na morte do jogo – By Manuel Serrão

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Manuel Serrão

Para que não fique qualquer dúvida, tenho de começar esta crónica por revelar a minha ligação ao universo das apostas. Devo dizer que não me iniciei no mundo das apostas, como acontece com a maior parte dos apostadores, por ser moda, por não ter mais nada que fazer, ou simplesmente por achar que é a melhor maneira de ganhar dinheiro, a seguir a trabalhar. Aliás, na maior parte dos apostadores que se deixam viciar por esta terceira razão, eu não diria que o mundo das apostas é a melhor forma de ganhar dinheiro a seguir ao trabalho, mas sim… em vez do trabalho. Neste caso, acaba por ser maior a vontade de ganhar a vida sem trabalhar do que propriamente o trabalho que dá começar a ganhar dinheiro neste mundo das apostas.

Ainda ontem um amigo do peito me contou que um amigo do filho tinha decidido tornar-se um profissional das apostas, tendo-se mudado para Londres, com a desculpa de que em Portugal há algumas apostas online que não são toleradas pela lei. Como este jovem, conheço mais dois ou três e tenho ouvido contar estórias de mais uns quantos, que passaram a fazer deste tipo de jogo uma forma de vida. Não quero parecer careta, mas são muitas as caretas que faço de cada vez que alguém da minha geração me conta, com ar natural, que tem um filho ou uma sobrinha que ganham a vida sentados ao computador ou em salas de casinos, a ganhar milhares em apostas dos mais diversos tipos.

Já se terão apercebido, certamente, que não é deste tipo de apostas que eu me quero confessar viciado. Como acontece muitas vezes, contraí este vício para substituir outro. Viciado que estava eu em discussões do sexo dos anjos, ou aparentadas, houve um dia em que cheguei à conclusão de que precisava de mudar de vida. Não podia perder tanto tempo como perdia em discussões infindáveis com os meus melhores amigos, precisamente porque estava a perder alguns dos melhores pedaços da vida… que são aqueles que passo com os meus melhores amigos. Para tentar explicar melhor vou dar dois exemplos de discussões dessas. Uma delas foi no início da época futebolística em que o Jardel se tinha transferido para o Sporting e o motivo da discussão era saber em julho se no final do campeonato, em maio do ano seguinte, o Sporting seria campeão e o Jardel o melhor marcador do campeonato. Noutra noite em que tínhamos acabado de saber do escândalo do BPN, a discussão queria chegar à luz sobre a magna questão de saber se haveria alguém condenado com sentença transitada em julgado até ao final desse ano.

Claro que em ambos os casos existiam os que diziam que sim e os que diziam que nunca. E como é fácil de ver, a discussão arrastava-se penosamente durante várias horas sem que fosse possível chegar a alguma conclusão. Foi por isso para pôr um ponto final neste vício da discussão estéril que nasceu a ideia das apostas. Agora, mal identificamos que a discussão é desse tipo “sexo dos anjos”, partimos imediatamente para a aposta e a discussão morre nesse preciso momento. Valha a verdade que esta receita das apostas, que passam sempre por jantares mais ao menos refinados, também já serviu para, à moda do rei Salomão, acabar com a discussão por desistência do elo mais fraco.

Gostar do jogo e de jogar, gostar de apostas e de apostar não tem de trazer nenhum mal ao Mundo, como acontece neste caso que tenho com os meus amigos, em que as apostas não só não trouxeram mal nenhum, como nos fizeram muito bem. Outra coisa bem diferente são os jogos e as apostas com que comecei esta crónica, em que por cada apostador que ganha a vida a jogar há com certeza muitos mais que dão cabo dela pela mesma razão. Mas destes casos diremos que cada um sabe de si. Mil vezes pior são estas apostas, estes jogos sujos e estes viciados na mentira que foram notícia esta semana, por estarem apostados em destruir um jogo que não nasceu para gente como eles, mas aposto forte que pode vir a morrer por causa de gente como eles.

EMPRESÁRIO

Fonte: JN

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