Manipulação de resultados: Wilson Raj Perumal “detém a chave para a caixa de Pandora”. Sob custódia policial desde 2011, o singapurense tem fornecido informações aos investigadores europeus acerca do mundo sombrio do qual ele já foi parte integrante.

CONFISSÕES DE UM MANIPULADOR DE RESULTADOS

Quando a polícia deteve Wilson Raj Perumal na Finlândia, não levou muito tempo para que ele percebesse que os seus criminosos amigos o tinham denunciado. Desde essa altura que ele tem procurado exercer a sua vingança – denunciando-os também.

Desde a sua detenção em 2011, Perumal tem falado com polícias, promotores e jornalistas acerca do sombrio mundo da manipulação de resultados em jogos de futebol, onde ele era parte activa, e dos milhões de dólares que podem ser ganhos apostando neles.

O singapurense foi condenado pelo tribunal distrital de Lapland por suborno a jogadores da liga finlandesa, falsificação e tentativa de fuga aos oficiais que o tinham sob vigília, tendo sido sentenciado a dois anos de prisão.

Perumal disse á polícia que poderia estar em perigo por traír os seus antigos colegas, mas ao mesmo tempo acredita que foram os seus associados os primeiros a quebrar a principal regra dos criminosos que se baseia em não cooperar com as forças policiais.

“Não faz parte da minha natureza cantar como um canário,” escreveu ele numa carta enviada da prisão. “Se eu tivesse sido detido dentro de circunstâncias normais, voltaria para Singapura para cumprir a minha pena como um convidado com os meus lábios selados.”

Investigadores europeus e promotores dizem que Perumal abriu uma inestimável janela de acesso ao reino da manipulação de resultados, que se encontra a corroer o desporto mais popular do mundo.

Afirmam também que ele terá revelado nomes acerca de quem organiza alguns dos esquemas de manipulação no futebol e de que forma o dinheiro é gerado, apostando em resultados pré-definidos com jogadores, árbitros e oficiais que são subornados ou ameaçados.

Wilson Raj Perumal

“Ele não é o único manipulador de resultados deste tipo ou tamanho no mundo, mas é o primeiro a ser realmente capturado da forma que foi e agora a cooperar desta forma,” afirmou Chris Eaton, que era o chefe de segurança da FIFA na altura que Perumal foi detido.

“Ele somou dois mais dois e chegou á conclusão que tinha sido atraiçoado,” disse Eaton numa entrevista. “Levou bastantes dias até que ele decidisse que a cooperação seria o melhor caminho para ele.

PARTIDAS NA ITALIA SOB INVESTIGAÇÃO

Polícia italiana que se encontra a averiguar dezenas de partidas italianas combinadas e um promotor que está a investigar 340 jogos suspeitos noutros sítios da Europa, viajaram até á Finlândia a fim de interrogar Perumal como testemunha.

Um investigador que se encontrava nessas viagens disse que Perumal forneceu “entrevistas muito boas“, que ele continua a cooperar mesmo após ser solto da prisão na Finlândia, e que os indícios que ele forneceu vieram-se a confirmar.

Outro investigador afirmou que Perumal teria alertado as autoridades para duas manipulações a decorrer – as partidas, os árbitros – e que essa informação estaria “100 por cento” correcta em ambos os casos. Esse investigador considerou Perumal uma “ajuda tremenda“.

Ambos os investigadores falaram sob condição de anonimidade porque não se encontravam autorizados a discutir publicamente o seu trabalho. Perumal terá recusado um pedido para uma entrevista.

Em arquivo judicial, os promotores italianos descreveram Perumal como a sua “principal fonte de provas” acerca de Tan Seet Eng, também conhecido por Dan Tan, um singapurense que alegam ser o líder do sindicato que manipula partidas em Itália.

PARTIDAS NA ITALIA SOB INVESTIGAÇÃO

Perumal detalhou ás autoridades como o sindicato é estruturado, como são colocadas as apostas, e como se movimenta o dinheiro dos subornos pelo mundo, disseram eles.

Promotores italianos emitiram um mandado de captura para Tan e listaram-no como o suspeito número 1 nas suas investigações acerca de resultados combinados.

Não foi possível encontrar Tan em Singapura. Cinco números de telefone identificados como seus por promotores italianos, foram desconectados, e ninguém abriu a porta de um apartamento que os italianos listaram como sendo sua morada.

CAPTURADO NA FINLANDIA

Perumal contou á polícia finlandesa que o sindicato é composto por seis acionistas – incluíndo ele próprio – de Singapura, Croácia, Bulgária, Eslovénia e Hungria, e declarou que eles dividem rendimentos do jogo por partidas combinadas.

O sindicato de apostas coloca apostas pricipalmente na China, disse Perumal, de acordo com um transcrito do seu interrogatório policial de 18 de maio de 2011 obtido pela Associated Press.

Ele declarou que o grupo manipulou “dezenas de partidas por esse mundo fora” – na Europa, África, no Médio Oriente e nas Américas – de 2008 a 2010. Ele estimou lucros totais do grupo após despesas na ordem dos vários milhões de euros, talvez 5 ou 6 milhões”.

“Perumal é a chave, porque ele fornece um olhar sobre como tudo se encaixa,” disse o promotor italiano Roberto Di Martino.

Investigadores dizem que Perumal possui um longo historial de manipulação de resultados e uma ampla gama de contactos dentro do futebol.

Numa carta enviada da prisão, Perumal gabou-se: “Posso pegar no telefone e ligar do Afeganistão ao Zimbábue.

Aquando da sua detenção, ele tinha números gravados no seu telefone de pessoas de 34 países. Trazia também consigo um cartão de visita com um logo da FIFA que o descrevia como “gerente executivo“.

Perumal escreveu da prisão que começou a manipular resultados na Ásia no início dos anos 90.

Cresci numa região onde as apostas de futebol e as manipulações de resultados eram uma forma de vida. Gradualmente comecei a desenvolver a capacidade e a perícia para executar o trabalho eu mesmo,” disse ele.

Ele alegou ter pago a jogadores na Síria e em África e falou sobre manipulações nos Estados Unidos e no Bahrain, assim como jogo a envolver equipas da Coréia do Norte, Kuwait, Zâmbia, Bolívia, Venezuela e Togo.

O Zimbábue associou-o a corrupção generalizada e manipulações envolvendo seus jogadores e associação de futebol.

ATUAÇÃO NA AFRICA

Perumal também é suspeito de manipular jogos envolvendo a África do Sul antes do país receber o Mundial de 2010.

A FIFA determinou que a empresa de Perumal, Football4U, funcionava como fachada para o seu sindicato de apostadores e se terá infiltrado na Associação de Futebol Sul Africana.

Na Finlândia, Perumal explicou á polícia como distribuía maços de dinheiro – dezenas de milhares de dólares de cada vez – a fim de corromper jogadores da liga finlandesa, incluindo um suborno na ordem dos 56 000 dólares entregue num lavatório de um estádio em 2010.

Numa carta da prisão, ele lamentou que “todos os jogadores e oficiais corruptos são como prostitutas que vão com quem pagar mais. Não existe lealdade neste negócio“.

Mas não sentiu qualquer culpa sobre o seu papel.

ATUAÇÃO NA AFRICA

“Eu tive jogadores a agradecer-me por lhes dar esta oportunidade e a dizerem-me o quanto este dinheiro iria mudar as suas vidas,” escreveu.

“As únicas afectadas são as casas de apostas ilegais, e mesmo elas dissolvem as suas perdas nos seus enormes lucros.”

Perumal tem entrado e saído da prisão repetidamente em Singapura. Em 2010, recebeu uma sentença de 5 anos por ferir um polícia. Ele recorreu mas depois fugiu da cidade.

A porta-voz da polícia singapurense Chu Guat Chiew afirmou que Perumal ainda é procurado em Singapura.

Nas suas cartas da prisão, Perumal disse que viveu despercebido em Londres enquanto foragido, fazendo jogging diariamente á volta do Estádio de Wembley e assistindo a jogos da Premier League aos fins de semana.

As cartas escritas á mão foram enviada pelo advogado de Perumal para um jornalista, Zaihan Mohamed Yusof do New Paper em Singapura.

Não fossem as circunstâncias peculiares na Finlândia e Perumal poderia nunca ter falado.

DELATADO E CAPTURADO

A sua detenção surgiu de uma dica através de um informador, também singapurense, que entrou numa esquadra de polícia em Rovaniemi no norte da Finlândia em fevereiro de 2011 e contou ao oficial de serviço que Perumal estava no país.

A polícia rastreou Perumal e colocou-o sob vigilância para assegurar que tinham o homem certo, disse Eaton, que é hoje o director de integridade no Centro Internacional para a Segurança no Desporto, um grupo apoiado pelo Qatar que financia pesquisas acerca de manipulação de resultados.

A polícia na Finlândia seguiu Perumal até um jogo e viu-o em discussão acesa com um jogador. Isso chamou a sua atenção e fê-los contactar oficiais de futebol.

Eles, por sua vez, conseguiram contactar Eaton na FIFA, que já tinha Perumal no seu radar e imediatamente percebeu a importância desta detenção finlandesa.

Foi como se uma campainha tocasse ou um alarme disparasse, no meu escritório,” disse Eaton.

Se a polícia não tivesse seguido Perumal e apenas tivesse pegado nele e o mandado para casa por viajar com um passaporte falso, poderia nunca ter percebido que ele andava a manipular resultados e provavelmente ele nunca se teria decidido a cooperar, declarou Eaton.

Teria sido praticamente apenas um apito em vez da explosão que realmente foi,” disse Eaton.

APOSTOU PESADO

Antes da sua captura, Perumal tinha andado a apostar muito pesado, acumulado dívidas e defraudado o seu sindicato metendo ao bolso dinheiro que era suposto ser usado para manipular resultados, disse Eaton. Ele disse que Perumal também estaria a ficar muito conhecido para o gosto de Tan.

Perumal “estava no facebook. Ele estava no LinkedIn. Estava no Twitter,” disse Eaton.

A atitude de Perumal era, ‘Isto torna-me mais valioso, mais conhecido por jogadores, mais conhecido pelas pessoas que quero corromper e influenciar’. Tan pretendia que ele fosse mais discreto.

Numa carta da prisão, Perumal alegou que a dica que a polícia finlandesa recebeu foi uma tentativa dos seus associados “para se livrar de mim“.

APOSTANDO PESADO

Eu sabia que tinha sido tramado no momento que a polícia me parou,” escreveu Perumal.

“Procurar assistência policial é uma violação do código número 1 em qualquer actividade criminosa. Dan Tan quebrou este código e abanou o ninho de vespas. Agora terá de sofrer as consequências,” escreveu Perumal em outra carta. “Eu detenho a chave para a caixa de Pandora e não hesitarei em abri-la.

Investigadores dizem que a decisão de Perumal em cooperar foi também motivada por interesse pessoal.

Enquanto ele for útil para as autoridades na Europa, ele vai atrasando o dia em que poderá ser mandado de volta para Singapura, onde irá encarar termo de prisão e possíveis antigos associados com sede de vingança.

PRESO E ENTREGANDO A TODOS

“Ele ficará preso por 5 anos e possivelmente não voltará a saír dessa prisão,” disse Eaton. “Ele começou progressivamente a passar informações. Não de uma só vez, não despejando tudo. Ele forneceu o suficiente de cada vez para garantir que não seria extraditado, que não seria enviado de volta para Singapura, até ao ponto em que forneceu tanta informação que estão agora a utilizá-lo em outras investigações.

“Ele percebeu que o único caminho a seguir era tornar-se um informador e cooperar”, disse Eaton. “Mas eu não acredito que a informação que ele tem vindo a ceder esteja sequer perto dos 100 por cento.”

Após cumprir metade dos seus dois anos de pena na Finlândia, Perumal foi enviado para a Hungria, que possuía um mandado de captura europeu emitido para ele, disse Jukka Lakkala, detective inspector chefe do escritório de investigação finlandês.

Eaton disse que Perumal serviu como um “informador controlado” na Hungria, vivendo numa casa segura sob vigília policial. “E sem dúvida ele estará em Itália também,” afirmou Eaton.

Ao recusar o pedido de uma entrevista para a Associated Press, Perumal respondeu por e-mail que não queria “fornecer mais nenhum detalhe”.

A minha vida está neste momento estabelecida,” disse ele, referindo ainda que prefere que “continue dessa forma“.

Fonte: thenational.ae

 

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