Na última semana, o jornal Público deu a conhecer um suposto facto que pode levantar bastante polémica em torno da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. O líder nigeriano da SAD do Feirense, segundo o periódico referido, é proprietário de uma casa de apostas no seu país, o que constitui uma infração da legislação desportiva que atualmente vigora em Portugal.

LIGA ACUSADA DE COMPACTUAR COM UMA MENTIRA

Kunle Soname é o presidente e maior acionista da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Feirense, que milita atualmente na II Liga, e, em simultâneo, o dono da Bet9ja, uma das maiores empresas do ramo das apostas desportivas em África.

Empreendedor e um nome com peso na política na Nigéria, Soname adquiriu 70% da SAD do Feirense, através da empresa Tavistock Global Resource Ltd., há pouco menos de cinco anos (outubro de 2015), no início da época da última subida do Feirense ao principal escalão do futebol português, onde se manteve até ao fim da época 2018/19.

Ora, em 2017 houve uma reformulação das leis que regem o desporto em Portugal, que viabilizou o alargamento do quadro de incompatibilidades entre a atividade em determinados setores e o futebol.

Em excerto de um dos artigos do decreto-lei cuja atualização foi aprovada pelo Parlamento em 2017, lê-se de forma expressiva e bastante clara que “não podem ser administradores ou gerentes de sociedades desportivas quem possua ligação a empresas ou organizações que promovam, negoceiem, organizem, conduzam eventos ou transações relacionadas com apostas desportivas”.

Numa altura em que o Desportivo das Aves e o Vitória Futebol Clube foram condenados a descer ao Campeonato de Portugal, por não cumprirem os requisitos necessários para participar nas competições profissionais nacionais, veio a público que a Liga Portuguesa pode ter compactuado com uma ilegalidade clara que, segundo o Público, o Feirense tem mascarado.

O RAIO DE AÇÃO DE KUNLE SONAME

Um dos principais lesados é a Federação Portuguesa de Futebol, cuja plataforma de transparência tem recebido, alegadamente, declarações falsas por parte da Liga, em sequência da permissão por parte do organismo presidido por Pedro Proença da inscrição da equipa do Feirense nas competições profissionais portuguesas.

Entre 2016 e 2019, a formação de Santa Maria da Feira participou consecutivamente na atualmente designada Liga NOS, sendo que, na última época, o Feirense participou no segundo escalão, onde lutou sem glória pelo regresso à primeira divisão, até porque a prova foi cancelada devido à Covid-19.

O RAIO DE AÇÃO DE KUNLE SONAME

Além de acionista maioritário da SAD do Feirense e detentor da já referida casas de apostas africana, o empresário nigeriano também levanta algumas ondas de choque no seu país natal.

É que a Bet9ja era o mais importante patrocínio da segunda divisão do futebol nigeriano, onde participava precisamente o Remo Stars, um clube do qual Kunle Soname é dono.

Escusado será dizer que a situação foi vista como incompatível, nomeadamente por parte de um clube rival, que acusou a liga de favorecer a subida ao primeiro escalão do Remo Stars.

AS REAÇÕES DA LIGA E DO FEIRENSE

No mesmo dia em que a notícia tão polémica, quanto bombástica, foi veiculada pelo jornal Público, as reações por parte da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e do Feirense não se fizeram esperar.

Em comunicado, a LPFP declarou não ter conhecimento da situação, esclareceu que empresas detêm as respetivas percentagens no capital da SAD do Feirense e informou que solicitaria, no imediato, a abertura de um processo de inquérito ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol “para averiguar se existe qualquer matéria relevante do ponto de vista disciplinar”.

AS REAÇÕES DA LIGA E DO FEIRENSE

Já o clube de Santa Maria da Feira também veio a público, através de uma nota de imprensa, contestar e negar todas as informações divulgadas pelo jornal Público, apontando diretamente o dedo ao jornalista Paulo Curado, acusado de “desconhecimento profundo da nossa realidade” e de “falta de rigor”.

A Feirense SAD refere que Kunle Soname não é acionista da Tavistock, nem o seu beneficiário ativo, confirmando que o empresário nigeriano “tem interesses na casa de apostas online Bet9ja”.

No entanto, segundo o clube “fogaceiro”, Soname não é, nem nunca foi, administrador, nem gestor da SAD do Feirense, mas sim Presidente do Conselho de Administração.

Como que em jeito de “recado”, a Feirense SAD apontou ainda que cumpre os pressupostos financeiros da Liga para a inscrição da equipa nas competições profissionais e que não possui dívidas ao Estado ou à Segurança Social (uma questão apontada aos casos do Setúbal e do Aves).

O MESMO PESO E DUAS MEDIDAS?

A confirmar-se – repito, a confirmar-se – a notícia veiculada pelo jornal Público, esta é uma situação que transgride as leis, mancha o nome do futebol português e compromete seriamente a verdade desportiva em Portugal.

O caso ganha contornos ainda mais notórios por ter vindo a público pouco tempo depois da decisão da Liga em condenar o Vitória Futebol Clube (de Setúbal) e o Desportivo das Aves à descida ao terceiro escalão do futebol nacional, por alegado incumprimento nos requisitos necessários para a inscrição nas provas profissionais, tal como já referi anteriormente.

Como se já não faltassem situações dúbias e pouco claras ao redor do nosso futebol – como por exemplo o envolvimento de Benfica e Aves em negócios que ainda estão por esclarecer –, a discrepância de atitude da entidade liderada pelo antigo árbitro Pedro Proença, em situações bastante semelhantes (sendo que, do ponto de vista moral, a situação do Feirense até pode ser tida como mais grave, visto que coloca em causa a verdade desportiva) não só é lamentável, como obriga a que algo mude de forma rápida e urgente na direção de uma das entidades mais importantes na gestão do futebol português.

 

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