Perdi 55.000 euros numa única aposta

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Esta não é a história de um “Menino de Ouro” Eu não bebo. Eu não consumo drogas. Acho que nunca na minha vida entrei numa discoteca.

E mesmo assim, consegui perder 55 mil euros apenas com um toque no meu telemóvel.

Eu nem sequer tive de sair do quarto. Sou provavelmente o único homem na história a perder 55 mil euros deitado na cama numa quarta-feira à noite em Blackpool.

Esta não é a história de um “menino de ouro”. Vamos deixar isso bem claro desde já.

Perdi 55.000 euros numa única aposta

Não clicaste num conto de fadas, desculpa informar-te. Eu não gosto de falar muito sobre mim, por isso não vou contar esta história para toda a gente ouvir.

Eu estou a contá-la para as pessoas que estão por aí que já tiveram os seus dissabores – para aqueles que já se sentiram incompreendidos, deprimidos, perdidos e especialmente aqueles que já lidaram com uma adição.

Eu sou provavelmente a única pessoa na história a perder 55.000 euros deitado na cama numa quarta-feira à noite em Blackpool.

Eu estive nessa situação, a 100%.

Mas antes de entrar por aí, preciso de dar aqui uma pequena aula de história.

Todas as nossas características, as boas e as más, têm uma explicação, certo?

Porque é que conhecem o nome Andros Townsend — o pequeno menino de Chingford?

Bem, tenho de vos falar do meu meio-irmão, Kurtis Townsend.

Ele era mais velho que eu oito anos, por isso era naturalmente o meu ídolo. Ele seria também o meu herói se fosse muito bom a matemática ou a poesia, mas acontece que ele era muito bom a jogar futebol e pronto, foi isso que me puxou.

Eu sempre tive uma personalidade propensa ao vício, por isso a partir do momento que eu queria ser como ele, eu só pensava em futebol.

Um dos campos das academias do Arsenal era do outro lado da rua da nossa casa – conseguíamos vê-lo literalmente da janela.

Então eu estava ou lá a jogar ou em casa a brincar com os meus bonecos de jogadores de futebol.

Lembram-se desses?

Todos os da geração de 90 sabem do que eu estou a falar. Corpos magrinhos, cabeças enormes. E nem sequer se mexiam! Eram só estátuas.

Mas eu era obcecado com eles. Todos os natais, eu recebia alguns novos. Eu tinha o Ronaldo, o Henry, o Zola e o Cafu. Depois recebi o Ronaldinho na janela de transferências do meu aniversário e aí houve algum drama. Alguém tinha de ficar no banco, certo?

Drama. A imprensa estava frenética.

Aquilo era o meu mundo. Eu não fazia nada pela metade. Na altura que fiz sete anos, eu já estava a jogar na academia do Tottenham e o Kurtis estava em período de testes no Wimbledon. Nos meus sonhos, nós iríamos jogar ambos na Premier League um dia.

Não me podiam dizer o contrário, ele era o meu herói.

craques antigos

Infelizmente, a vida nem sempre corre da maneira que nós planeamos na nossa cabeça, quando estamos a sonhar.

Quando o Kurtis tinha 18 anos, ele estava a caminho de um jogo semi-profissional em Luton com alguns dos seus companheiros de equipa. Eles estiveram envolvidos num acidente grave em que toda a gente sobreviveu exceto o meu irmão.

Sabes, eu nunca gosto quando alguém está a contar uma história sobre um atleta que perdeu alguém próximo e faz com que pareça que a morte dessa pessoa foi o que motivou o seu sucesso.

Perder o meu irmão não me fez trabalhar mais arduamente. Não me fez marcar mais golos. Foi só dor e tristeza. Foi só isso.

Eu sentia falta dele todos os dias, eu ainda agora sinto.

Eu nunca me irei esquecer… Cerca de um ano após a sua morte, eu estava na escola e era apenas mais um dia normal. Eu não estava sequer a pensar nele. E então, por alguma razão, alguns dos meus amigos começaram a cantar “I’ll Be Missing You.”

Lembram-se daquela música que o Puff Daddy e a Mary J. Blige lançaram após a morte do Biggie Smalls?

“Every step I take, every move I make
Every single day, every time I pray
I’ll be missing you”

Eles estavam todos a cantar isso e, não sei porquê, aquilo mexeu comigo. Eu comecei a pensar no meu irmão e eu não conseguia parar de chorar.

Eu nem conseguia falar para explicar o que estava a acontecer. Eu estava apenas a chorar tanto que os professores até me mandaram para casa.

Quando perdes o teu herói, não é mais um capítulo num conto de fadas. É mesmo a tua vida e nunca és completamente capaz de virar a página. Essa dor acompanhou-me o resto da vida. Eu sempre fui uma pessoa sensível, até demasiado.

townsed yeovil

E isso nem sempre é saudável, especialmente quando és apenas um miúdo. Olhando para trás, eu sempre fui muito talentoso, mas era também muito convencido.

Nem sei bem se convencido é o adjetivo certo. Eu apenas não tinha muita experiência de vida, porque eu já estava a jogar com adultos quando tinha apenas 17 anos de idade.

Hoje em dia é mais comum, mas quando os Spurs me emprestaram ao Yeovil Town, aquilo era quase inédito. Mandar um jovem extremo matreiro jogar na League One com todos aqueles homens de barba rija a jogarem pelas suas hipotecas… o que poderia correr mal?

Imagina, eu tinha 17 anos! Vocês viram algum jovem de 17 anos na rua recentemente?

Eu nem sequer estou a tentar ser engraçado quando digo que jogar na Premier League é mais fácil, de certo modo.

Sendo um jogador talentoso, estás muito mais protegido. Estás a comer salmão na cantina e depois tiras uma sesta. Não estás a comer “junk food” numa viagem de autocarro de 5 horas até Carlisle.

Na Premie League, podes ser um bocado palerma e ninguém te vai fazer nada. Na League One, é totalmente diferente.

No Yeovil, nós estávamos na zona de despromoção. Os meus colegas de equipas estavam literalmente a jogar pela sua sobrevivência, pelos seus carros, pelas suas casas. Eu não tinha noção do que isso era.

Num dos meus primeiros jogos, eu não estava a correr suficiente, e o nosso defesa estava a berrar comigo: “Corre para trás! Corre para trás!”

Então eu disse-lhe o que diria ao meu colega de equipa nos Spurs se ele me fizesse isso.

Disse-lhe “Vai te f*.”

Imagina, eu tinha 17 anos! Vocês viram algum jovem de 17 anos na rua recentemente?

Bem, ele não tinha 17 anos. Tinha 26 e estava a jogar pela sua vida. Ele não me respondeu de volta no campo. Ele esperou.

Então, quando eu estava a encaminhar-me para o balneário ao intervalo, como se nada se tivesse passado. Talvez ele viesse pedir-me satisfações, talvez nós discutíssemos, talvez ele faça queixa ao treinador.

Mas eu estava a jogar na League One. E na League One, se tu dizes ao teu defesa para se ir “f**er”, ele não vai a correr para a imprensa ou para as redes sociais. Ele vem a correr para o balneário para tentar matar-te.

Eu estava a saltar por cima dos bancos, a correr a volta do balneário, completamente em pânico. Todos os meus colegas de equipa tiveram de o segurar. Foi ridículo.

Olhando para trás, não sei o que me passou pela cabeça. Eu não tinha muita maturidade, porque eu não estava a viver propriamente uma vida “normal”.

Eu fui enviado para Yeovil com o meu melhor amigo da academia dos Spurs, e nós vivíamos num motel por baixo de um pub.

Todas as nossas refeições eram do pub, porque não tínhamos cozinha no nosso quarto e não tínhamos carro.

Não podes jogar 90 minutos de futebol profissional a comer bife com batatas fritas todas as noites. É impossível.

Então, nós fomos até a uma loja um dia e compramos um daqueles fornos elétricos. Nós montávamo-lo em cima da secretária de madeira ao lado da cama. Provavelmente muito, muito perigoso, crianças!

Eu não recomendo, só para que fique claro. Mas sim, essa era a nossa cozinha ilegal. Nós cozinhávamos frango cozido com arroz a maioria das noites.

E a parte mais engraçada, agora que me estou a lembrar disto, é que não tínhamos nenhuma banca de cozinha, então lavávamos a loiça suja na banheira e depois tomávamos banho.

Eu não sei se nós éramos idiotas ou génios, mas tínhamos de pensar fora da caixa. Isso ajudou-nos a passar meia época na League One.

Eu não sei se isto é algum tipo de recorde, mas começando quando eu tinha 17 anos, eu acabei por ser emprestado a 9 clubes diferentes em quatro anos.

Não podes jogar 90 minutos de futebol profissional a comer bife com batatas fritas todas as noites.

Essa é a idade em que é suposto tu aprenderes sobre a vida e começares a tornar-te um homem, mas eu passei a maioria do meu tempo em hotéis e autocarros, a olhar para o meu telemóvel ou a jogar FIFA.

Foi difícil porque eu estava rodeado de colegas de equipa com os quais acabava por nem ter grande ligação. É meio solitário e aborrecido, para ser honesto.

Obviamente, é difícil queixar-me. Claro, eu estava absolutamente a viver o meu sonho. Não tinha de lidar com os problemas que a maioria das pessoas tem de enfrentar.

Mas eu continuava a ser um ser humano, e eu acho que as pessoas não percebem o quão comum é os futebolistas sofrerem durante períodos de falta de confiança e depressão.

Para mim, a montanha russa de emoções que eu experienciei foi a parte mais difícil.

Quando eu tinha 19 anos, eu tinha acabado de voltar de um período de empréstimo que não tinha corrido bem no Ipswich. Foi engraçado, por acaso, porque o meu treinador era o Roy Keane.

Ele costumava ter um hábito depois de cada jogo em que ele entrava no balneário e ia até cada jogador um a um e dizia-lhe o que tinha achado da sua exibição. Mas, exatamente o que ele pensava.

Eu nunca me irei esquecer de quando ele se aproximou de mim no fim de um jogo e disse:

“Tu treinas tão bem a semana toda. Tão bem. Mas depois chega ao jogo e tu és uma nódoa autêntica.”

Depois passou ao próximo jogador.

Aquilo basicamente resumiu o meu tempo no Ipswich.

Para mim, a montanha russa de emoções que eu experienciei foi a parte mais difícil.

Então foi surreal quando fui chamado para voltar aos Spurs depois do Natal e tive a oportunidade de me estrear na FA Cup em White Hart Lane. Aconteceu tudo tão rápido.

Eu passei a minha vida toda a trabalhar para chegar aquele momento. Eu não era só um puto da academia. A minha família inteira apoia os Spurs desde sempre.

Eu cresci a querer ser um extremo criativo por causa do David Ginola. Eu nunca sonhei em jogar pelo Real Madrid ou pelo Man United. O sonho foi sempre jogar pelos Spurs.

Numa semana estava à rasca no Championship, a ser destruído pelo Roy Keane.

Umas semanas depois, estava a marcar um golo em White Hart Lane em frente à minha família, a ser considerado homem do jogo e a ver o meu nome em todos os jornais.

Eu lembro-me de voltar para casa depois desse jogo e estar no computador a “googlar” todos os artigos que tinham sido escritos sobre mim.

Sem vergonha! Todos os tweets. Todos os vídeos no site dos Spurs. A vê-los vezes e vezes sem conta, sempre a carregar no botão de “replay”.

Na minha cabeça, eu já era um jogador dos Spurs, certo? Não me podiam dizer nada. Eu iria estar a viver o sonho.
Dez dias mais tarde, o que aconteceu?

Literalmente 10 dias mais tarde, fui outra vez emprestado, desta feita ao Watford. Watford. Millwall. Leeds. Birmingham. QPR. Estou a esquecer-me de algum?

Numa semana estava à rasca no Championship, a ser destruído pelo Roy Keane.

É tudo uma névoa de quartos de hotel na minha memória agora. Eu fui emprestado a mais 5 clubes antes de voltar a casa, aos Spurs, e eu penso que foi aí que os problemas começaram realmente.

Tudo começou com aborrecimento, para ser sincero.

Eu lembro-me que num desses clubes, havia muita galhofa no balneário por causa de apostas. Nada malicioso. Nada relacionado com jogos combinados ou algo do género. Apenas sobre apostar em cavalos ou rugby ou assim. Fazia parte da cultura.

Eu nunca tinha feito uma aposta em nada antes, pela mesma razão que nunca tinha bebido. Se havia uma coisa que eu sabia sobre mim é que tinha uma personalidade muito propensa ao vício. Por isso, tudo o que pudesse afetar a minha carreira no futebol eu nem sequer considerava.

Lembro-me exatamente onde estava quando fiz a minha primeira aposta.

Eu estava aborrecido num quarto de hotel qualquer na noite antes de um jogo e vi um anúncio na televisão sobre uma aplicação que oferecia a primeira aposta sem risco. Eu saquei a aplicação e fiz uma pequena aposta só para passar o tempo.

Dentro de alguns meses, as coisas estavam fora de controlo. Era da minha personalidade. A maioria das pessoas consegue apostar 10£ ao fim de semana e depois não voltar a pensar mais nisso.

Mas tudo o que eu fazia me absorvia completamente. Se me ganhas no FIFA, eu vou jogar FIFA sem parar até conseguir melhorar e esmagar-te.

Lembro-me exatamente onde estava quando fiz a minha primeira aposta.

Se me ganhas no ténis de mesa ou nos dardos, eu vou gastar todo o meu tempo livre nisso durante um mês até ser capaz de te ganhar. Eu preciso de ser bom em tudo o que faço.

Aconteceu o mesmo com as apostas, mas não funciona assim. Eu só perdia. Continuava a tentar tirar-me do buraco. E então, num piscar de olhos, estava completamente viciado em apostas.

Eu lembro-me quando estava em Birmingham, na noite antes da meia-final dos play-offs. Eu estava deitado na cama, a tentar descansar. Aquele era o jogo mais importante da época e eu não conseguia adormecer. Eu estava sempre a pegar no telemóvel, a fazer mais apostas.

Nessa noite, eu perdi 55.000 euros num único jogo.

Eu acho que estava a gastar cerca de 3,000£ por semana nessa altura.

Isso foi bater no fundo para mim. Porque sentes-te completamente vazio. É suposto estares focado no futebol, aquilo que amas, mas a única coisa em que consegues pensar é: “Como vou conseguir recuperar o meu dinheiro?”.

Houve uma altura em que eu estava no Leeds e onde era suposto eu fazer uma aparição com alguns fãs, e eu tinha acabado de perder uma aposta grande. Eu nem me lembro da quantia.

Mas eu sentia-me tão vazio que tudo o que eu conseguia fazer era desligar o meu telemóvel e rastejar para a cama. Eu estava deprimido. Eu não me conseguia concentrar. Eu tinha perdido a motivação para fazer qualquer coisa.

Não parou até eu ser apanhado. E graças a Deus que fui apanhado. Quando fui multado pela FA e havia a possibilidade de ser suspenso do futebol, isso fez-me cair na realidade.

Eu estava a ser ameaçado com uma suspensão de 12 meses e eu fiquei mesmo com medo de perder a minha carreira. Quando o que tu mais amas na vida te pode ser tirado das mãos, isso altera a tua perspetiva.

Eu estou tão grato pela FA ter compreendido que não havia nada de mal a acontecer ali, e que eu era apenas um miúdo parvo que tinha cometido um erro.

Eles suspenderam a maioria da minha pena e eu pude ter ajuda para o meu problema de adição. E isso não só salvou a minha carreira futebolística, mas também me salvou como ser humano provavelmente, porque me ensinou que podia e devia falar com alguém sobre o que estava a acontecer comigo.

Ouçam, ninguém tem uma vida perfeita. Mas a minha história foi especialmente dramática. Olhando para trás, quase não faz sentido.

Quando tinha 21 anos, eu ainda estava a penar no Championship e tinha uma pena suspensa por apostas sob a minha cabeça e, honestamente, se visses um vídeo meu na altura, eu provavelmente nem parecia um jogador de Premier League durante a maioria do tempo.

Um ano mais tarde, eu estava a jogar por Inglaterra em Wembley.

As pessoas perguntam-me como tudo aconteceu tão rápido e num conto de fadas, penso que se diria que eu comecei a trabalhar muito mais ou que algo incrível tinha acontecido.

Mas a verdade é que o André Villas-Boas me mudou do ala esquerda para a ala direita.

Mas a minha história foi especialmente dramática.

Eu tinha jogado do lado esquerdo toda a minha carreira.

Percorrer a ala toda, cruzar com o pé esquerdo. Repetir.

Mas, felizmente para mim, quando voltei aos Spurs com 22 anos, nós tínhamos um dos melhores jogadores do mundo na ala esquerda.

Era impossível eu tirar o lugar a Gareth Bale naquela equipa. Então, o treinador mudou-me para o lado direito, para ver se podia funcionar, e parece que tudo passou a fazer sentido. Eu podia utilizar a minha velocidade na ala ou cortar para dentro e rematar.

Às vezes no futebol, é assim tão simples.

Parece que foi quase da noite para o dia, que passei de um jogador medíocre na Premier League para internacional pela seleção nacional de Inglaterra.

Aliás, eu lembro-me de quando o secretário dos Spurs me ligou a dizer que tinha sido convocado para a qualificação do Mundial. Eu estava sentado no carro no parque de estacionamento, e eu só dizia:

“Estás a brincar comigo? Estás a gozar?”
“Não, Andros.”
“Não, tens de estar a brincar. Só podes estar a brincar.”

Esta é a mais pura das verdades: a primeira vez que entrei no balneário de Inglaterra e vi o Wayne Rooney lá sentado, comecei a suar por todos os lados.

Eu não sou uma pessoa calada, mas eu provavelmente não disse 2 palavras desde que cheguei até que saí do estádio no fim do jogo. Eu estava a segurar-me para manter tudo cá dentro, a tentar manter-me calmo.

Eu marquei um golo de longe nessa noite, mas o que mais me recordo dessa noite é que, depois do jogo, eu voltei para casa e subi direto para o quarto. Fechei a porta e desfiz-me em lágrimas. Sentei-me sozinho na cama a chorar durante bastante tempo.

Às vezes no futebol, é assim tão simples.

Quando és jovem, eu penso que podes ser convencido, mas não verdadeiramente confiante – se é que isto faz sentido. Eu penso que há muitos jogadores por aí que estão a transmitir uma coisa para o exterior, mas na verdade sentem outra.

Ou sentem-se de uma maneira no campo e doutra quando vão para casa à noite.

Olhando para trás, eu não estava pronto para tudo o que aconteceu depois daquele jogo. Eu estava a ler tudo sobre mim no Twitter.

Podes dizer que não lês, mas é impossível de ignorar. As pessoas estavam a falar de mim como o próximo “golden boy”. Foi aí que a pressão começou realmente a intensificar-se.

Uns meses após a minha estreia por Inglaterra, eu sofri uma lesão no tendão que não parecia muito séria na altura, mas que acabou por alterar completamente a maneira como eu corria. O que consequentemente acabou por alterar completamente a maneira como eu jogo futebol.

Quando as pessoas dizem que eu não sou o mesmo jogador que era quando tinha 22 anos, eu penso: “Estás certíssimo meu caro.”

Após essa lesão, eu não era tão explosivo, tão rápido. Mas, infelizmente, demorou-me bastante tempo a aceitar isso.

Eu ainda estava a tentar ser o meu jogador que era em 2013. Isso foi o início de um período bastante negro para mim, pessoalmente. Eu não estava preparado para lidar com esses contratempos, quando ainda estava no início dos meus 20s.

Eu costumava ter um jogo mau pelos Spurs e ir para casa ver vídeos antigos meus a jogar pela Inglaterra e perguntar-me a mim mesmo: “Porque é que não consegues jogar assim agora?”.

A partem ais triste para mim, e a única coisa de que me arrependo verdadeiramente, é a maneira como as coisas acabaram nos Spurs. Obviamente, eu estava tão frustrado, sentado no banco, a nunca ser chamado.

Após essa lesão, eu não era tão explosivo, tão rápido.

Quando vês que o teu tempo está a chegar ao fim num clube, é horrível. Se és competitivo, isso enfurece-te. Mas quando se trata do teu club, e é claramente o fim…. Pessoalmente fiquei arrasado.

Então eu acabei por descarregar no nosso fitness coach após um jogo. Eu fui um suplente não utilizado nessa noite e nós tivemos um pequeno conflito e eu empurrei-o.

Eu arrependo-me genuinamente disso, porque o meu clube vai ser sempre o Tottenham e eu não quero que os fãs fiquem com essa imagem de mim.

Mas, tal como com as apostas, parece que ia sempre acontecer alguma coisa.

Até que tirei o tempo para enfrentar o que estava a acontecer dentro de mim, estas coisas eram provavelmente inevitáveis.

A minha mãe foi a pessoa que fez com que tudo mudasse para mim. Quando cheguei ao Crystal Palace na minha primeira época, eu estava tão frustrado e deprimido que ela até teve umas aulas de psicologia no desporto para ver se me conseguia ajudar.

Ela acabou por encontrar o melhor psicólogo desportivo do país e deu-me o número dele.

Do nada, ela envia-me uma mensagem:

“Tens de falar com ele.”

Ela é assim, é uma pessoa incrível. Esta é uma história verídica: quando eu tinha 15 anos, os Spurs queriam mandar-me embora da academia. Aliás, eles mandaram. Eles disseram à minha mãe: “O teu filho está fora.”

Mas, tal como com as apostas, parece que ia sempre acontecer alguma coisa.

Ela voltou à academia no dia seguinte e falou com o diretor durante quase uma hora. Depois voltou para casa e disse-me:

“Estás de volta aos Spurs, tratei de tudo.”

Literalmente! Isso aconteceu! Por isso, ela sempre esteve lá para mim em todas as etapas.

Estou a dizer-vos – e acreditem, se um miúdo convencido de Chingford como eu vos está a dizer isto, então podem mesmo acreditar – a melhor coisa que fiz foi falar com um psicólogo desportivo.

Como atletas – como futebolistas, como homens, como seres humanos, whatever – nós não gostamos de admitir quando algo está errado. Eu era bom a mascará-lo.

Eu conseguia por um semblante corajoso como qualquer pessoa.

Eu brincava contigo, agia como se nada se passasse. Mas a verdade é que havia muitas coisas que eu não conseguia ultrapassar.

Eu estava obcecado com o meu antigo “Eu”. Eu estava agarrado a esta mentalidade maníaca. Eu estava agarrado a um monte de emoções antigas, porque eu pensava que tinha sido aquilo que me tinha feito chegar até aquele nível.

Mas um dia olhas-te ao espelho e já não és mais um miúdo. Tens de crescer e aceitar o teu futuro eu em vez de estar sempre agarrado ao passado. Foi com isso que o psicólogo me ajudou.

Nas últimas épocas no Crystal Palace foquei-me em estar em paz comigo próprio como jogador e como ser humano.

É engraçado porque se perguntasses a alguém na rua sobre o Andros Townsend, eles provavelmente dizem:

“Oh, ele era incrível antigamente.”

Mas dessa época que eles estavam a falar, 2013/2014, sabes quantos golos eu tinha marcado?

Um.

Sabes quantas assistências fiz?

Zero.

Eu era empolgante na altura, sem dúvida. Mas eu não era incrível. Há uma diferença. Na época passada com o Crystal Palace, eu marquei 6 golos e fiz 4 assistências. Se isso é aborrecido, então eu prefiro ser aborrecido, consistente e estar em paz comigo próprio.

Demorei 19 anos a jogar pelos Spurs, no que foi o melhor dia da minha vida.

Demorei 22 anos a jogar por Inglaterra, no que foi o segundo melhor dia da minha vida.

Demorei 28 anos a estar em paz comigo próprio e obviamente ainda é um trabalho em curso, mas esse é o terceiro da lista.

Talvez não me tenha tornado no “golden boy” que muitos ansiavam. Mas no final, eu espero que pelo menos me tenha tornado num homem melhor.

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