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Portugal campeã da Liga das Nações

Portugal campeã da Liga das Nações: Grito de golo de título!

Receber a bola na área, num jogo para um título europeu e, de repente, ouvir nas costas gritar o teu nome para a deixares, que não é para ti, que está alguém obcecado a chegar e que sente poder ser ele o herói.

“Bernardo!!!”, foi o grito. Quem o lançou, Gonçalo Guedes.

Portugal campeã da Liga das Nações

Percebendo o sentido desse grito, Bernardo Silva deixou a bola rolar e o remate do homem tornou-se de imediato noutro grito: “Goooloo!”. O maior grito de futebol no jogo que recolocou Portugal no topo da Europa.

Eu bem sei que a Liga das Nações não é um Europeu mas para o que sentimos tem o mesmo valor, orgulho e vontade futebolística de celebrar.

Depois desse grito, porém, ainda houve muito tempo para ativar o factor – sofrimento. Esta Holanda, mesmo que visivelmente desgastada por menos tempo de descanso, soube reagir na procura do empate.

Antes, no resto do tempo tinha jogado mais na expectativa, mas por estratégia.

É porque, ao contrário do que se possa pensar, este renascimento do futebol holandês não traz com ele o revivalismo do “Futebol Total” que lhe fez a história e revolução no passado.

Esta Holanda é tacticamente mais de controlo e busca do passe em profundidade.

Na parte final apertou e ouviu-se outro grito, o da defesa do guarda-redes que guarda o golo que antes fora marcado. Rui Patrício fez o voo razante na hora certa e segurou o título.

Grito da táctica do “jogar bem”

Para trás ficara a táctica. A consciência de Fernando Santos que o 4x4x2 losango era demasiado exigente para a equipa e que esta necessitava das dinâmicas mais simples e eficazes do 4.3.3.

João Félix caiu naturalmente do onze mas não há drama nisso. Outros dias, jogos, surgirão para explodir o seu futebol na seleção.

Nesta Final, era necessário um factor táctico mais experiente no sentido de guardar a bola e o jogo a meio-campo, com sentido posicional, maior dimensão física e recuperação que a dupla Danilom – William Carvalho garantiram, soltando mais na frente Bruno Fernandes para dar profundidade no jogo interior e apoiar Ronaldo, o n.º9 de referência com Bernardo Silva e Gonçalo Guedes a virem das faixas em diagonais.

guedes golo

Fernando Santos mais uma vez viu o jogo sem dilemas estéticos nem dogmas tácticos de sistema. Quer “jogar bem” sem se preocupar em “jogar bonito”. Coisas muito diferentes.

Quer ganhar sem ter problema em mudar de opinião táctica e assim foi do 4x4x2 para o 4x3x3.

Ou seja, um treinador não pode viver de certezas. Tem de viver de saber ler as dúvidas que os jogos ditam e responder a essas perguntas da melhor forma.

É a forma de ter razão antes e depois de jogar. Desta forma, o futebol da nossa seleção sabe adaptar-se às circunstâncias de cada jogo e ganhou com essa consciência da realidade do seu valor e do adversário.

Ver Ronaldo aos 34 anos neste nível desafia as leis do futebol de todos os tempos pela qualidade de jogo/remate, velocidade criteriosa e inteligência de liderança. Não sei se vai jogar até aos 50 mas dá a sensação que pode jogar até onde quiser.

A gestão física, com um potencial mental único, faz dele um monstro dentro do relvado.

Cada vez mais goleador de área do que jogador no campo todo, sabe entender com inteligência incomum o momento da sua carreira e continua a resolver jogos.

Na Final, mobilizou mais marcações e soltou os avançados de faixa disfarçados de extremos para surgirem na área e confundirem os defesas holandesas, entre eles uma dupla de centrais imperial, talvez a melhor do mundo neste momento (Van Dijk-De Ligt) mas incapaz de traçar a força do destino, isto é, do grito na jogada do golo de Portugal que deixou a bola ao jeito da bota de Gonçalo Guedes, o goleador herói improvável que fez explodir a nação portuguesa de futebol.

O futuro é manter esta reconstrução (não gosto, nem utilizo, a palavra renovação) e cruzando gerações construir o onze (e o grupo/plantel dos 23 convocados ) para atacarmos os próximos ciclos de Europeu e Mundial.

Com a técnica que nos diferencia e o “camaleão táctico dos sistemas” que, com inteligência sem problemas estéticos, confunde e derrota adversários.