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Segredos do Trading: Pilar III – Gestão

Ao falar de gestão, caímos recorrente-mente no erro de pensar que se trata abstractamente da gestão da banca pura e simples, ignorando a gestão em sentido amplo

Gerir as nossas apostas não se restringe a uma gestão percentual do total que temos “disponível” para apostar, ou do total global que temos nas apostas, ou do total global que temos no nosso património.

O primeiro passo é escolher quanto queremos arriscar do nosso património enquanto pessoa nas apostas.

É necessário neste passo entender que o que investirmos será presumidamente um fundo perdido.

É capital que nunca mais veremos, e como tal não deve interferir com a nossa vida ou da dos que de nós dependem.

Deve ser tratado como dinheiro que gastaríamos num bem supérfluo como um telemóvel e nunca dinheiro que à partida seria para pagarmos uma dívida.

Apesar de todos entendermos esta parte e afirmarmos que estamos plenamente conscientes deste facto, muita gente não pára para pensar qual seria o destino original daquele investimento.

É essa a questão que se deve colocar, com consciência.

A partir daqui estamos dentro da gestão deste “fundo perdido”.

Segredos do Trading: Pilar III - Gestão

Só se poderá falar em lucro a partir do momento em que houver dinheiro vivo na nossa conta, pois multiplicar uma banca em 500% numa semana é tarefa possível, mas não houve lucro se no dia seguinte o perdemos todo.

Temos portanto que pensar nesta banca como um todo, e na quantidade a investir numa aposta concreta, ou numa sessão de trading.

O valor percentual a apostar varia muito de pessoa para pessoa. Há quem diga 1%, há que diga 5%, há quem diga 10% e há quem diga 20% (no máximo).

Ultrapassar os 20% em live é, na minha opinião, gestão danosa, diga-se de passagem.

Certamente será incontestável que a gestão da aposta pontual deve ser contabilizada percentualmente e não numericamente, até porque falando em percentagens podemos debater uma mesma ideia mesmo que tenhamos diferenças abismais de banca total (excluindo o problema da liquidez).

Mas na verdade tenho um ponto de vista ligeiramente diferente: numa fase inicial, a percentagem de investimento deve variar consoante o balanço que se tenha

Por duas razões: em primeiro lugar, pelo facto de existir uma aposta mínima, o que irá influenciar as nossas contas e peso de investimento; em segundo lugar, pela liquidez do mercado que trabalhamos: mais fácil será trabalhar um mercado ilíquido com 10€ do que com 1000€, e mais facilmente faremos scalping com valores pequenos.

Vejamos um exemplo prático: um jogo propício a ter bastantes golos com uma odd de 1.14/1.15 no Over 1.5 golos em pré-live.

É fácil fazer um lay a 1.14 e um back a 1.15, certo? Vejamos o resultado com € 10k de responsabilidade:

Trata-se de um caso típico de scalping, com um scalp de 1 tick apenas (comprar barato e vender ligeiramente mais caro).

Usei números grandes para ficar claro que seria fácil fazer 621€ em segundos caso o trading fosse algo tão linear. Mas não é: o problema da liquidez é que nem sempre há € 70.000 dos dois lados disponíveis para nos fazer a vontade.

Se retirarmos três zeros e mexermos com valores como € 10 e € 70,8, teríamos muito mais probabilidade de fazer os pretensos… € 0,62.

Isto para dizer que à medida que a banca cresce, o potencial de lucro não aumenta linearmente (se com € 10 fazemos € 100 numa semana, com € 10.000 nunca faríamos € 100.000 nessa mesma semana, com os mesmos jogos, mesmas tácticas e mesma liquidez).

À medida que a banca aumenta, menor possibilidade de retorno há. Atenção que falo na perspectiva de trading.

É evidente que até no mercado mais ilíquido do mundo se um trader investir numa odd pouco inteligente, terá sempre compradores.

Estou a falar em valores de situações reais, com objectivo de maximização de lucro.

Passando este capítulo, que valores investir? Como descobrir a tal percentagem de banca que podemos investir naquele determinado momento?

Antes de mais, devo referir que sou adepto do compounding.

É sem dúvida a melhor maneira de maximizar o nosso lucro.

Através do compounding negativo (ou seja, em caso de perdas consecutivas), se apostarmos uma pequena percentagem da nossa banca, esta nunca chega a zeros enquanto estivermos a trabalhar com números inteiros (pois cada vez que perdemos mais, menos investimos).

Pessoalmente, trabalho sempre com 5% da banca corrente num determinado momento, independentemente dos resultados anteriores ou perspectivas futuras, em mercados ao vivo.

No caso de o mercado ainda não ter entrado em live, posso trabalhar com valores maiores (pois o risco é muito menor). A minha perspectiva é que se formos muito maus neste mundo do trading, mais tarde ou mais cedo vamos perder tudo, certo?

E se formos bons, disciplinados e constantes, teremos lucro a longo prazo, certo?

Logo, a partir do momento em que nos consideramos bons a longo prazo, podemos jogar com um valor pequeno como 1% ou 2% que no período de um ano teremos já um excelente lucro.

Se jogarmos com números maiores, mais rapidamente ganhamos, mas uma grande exposição da banca é o pior que podemos fazer, e tal como referi num dos artigos anteriores, o trading não se trata de ganhar, mas de não perder.

Podem achar que sou pessimista neste aspecto, mas a verdade é que se ganhamos, continuamos a trabalhar, mas se perdermos, o trabalho acaba.

Podemos ganhar para o resto da vida apostas de 1% da banca, mas a primeira vez que chegamos ao zero, é também a última vez.

Daí eu pensar na perspectiva de tentar não perder (e apostar constantemente 1% ou 2% da banca) do que de ganhar rápido (apostando valores acima dos 20%).

Mas muita atenção que expor 1% da banca não é de todo apostar “pouco” em relação à nossa banca! É desmoralizador falar em apostar um valor tão irrisório, mas o que interessa nunca é a responsabilidade, mas sim o lucro potencial.

Nós somos traders, portanto trabalhar com odds de 1.10 ou odds de 50 é comum, e bem aplicados podem trazer um investimento de 1% num retorno de, digamos, 5%.

Ao estar a aplicar um valor tão baixo estamos simultaneamente a salvaguardar o nosso controlo emocional

E obteremos muito mais sucesso com valores pequenos e ponderados. Ao investir, digamos, 30% da banca, temos duas situações possíveis: ou ganhamos muito, ou perdemos muito.

Mas algo se sucede em ambos os casos: desequilibramos mentalmente, quer por euforia, quer por desgosto.

Por outras palavras, quanto mais investimos, mais as nossas emoções entram em jogo, independentemente do resultado (o que influenciará incondicionalmente as nossas apostas futuras).

Fechando o capítulo dos investimentos pontuais, interessa apenas concluir que este depende do perfil de trader de cada um, mas pessoalmente defendo o compounding com low stakes, garantindo um bom lucro e controlo emocional.

Outro capítulo fundamental na nossa gestão é a necessidade de traçar objectivos.

Não me interessa um trader que ao longo de um ano tenha multiplicado 20 vezes a sua banca inicial se ele nunca levantou esse lucro (ou se o perdeu um dia depois…).

Por vezes os traders mais discretos são os que mais rentabilizam o seu trabalho, pois levantando periodicamente uma percentagem do seu saldo, estão finalmente e pelo menos a rentabilizar o seu trabalho e a obter lucro efectivo.

Um bom exercício neste caso é pararem de ler agora e irem levantar 10% da vossa banca neste momento. São capazes? Duvido que todos tenham respondido afirmativamente.

As questões que se colocam são:

1- Quando levantar?

  1. Em períodos temporais;
  2. Ao atingir determinadas metas na nossa banca;

2 – Quanto levantar?

  1. Um valor fixo dependente do “nível” da banca;
  2. Uma percentagem da nossa banca;
  3. Um valor fixo previamente estipulado, independentemente da banca.

Como em tudo nesta nossa área, não há uma fórmula matemática, mas cada decisão se adapta a cada trader, cada uma com as suas vantagens e desvantagens.

De qualquer maneira são perguntas que devem ser obrigatoriamente respondidas antes de qualquer investimento.

Relativamente ao quando, penso que para quem tem uma banca consideravelmente alta, e que faça do trading a sua profissão, com lucros correntes, a melhor opção é levantar periodicamente.

Desta forma obtém-se uma certa segurança quer psicológica quer financeira, na nossa vida pessoal, e ao mesmo tempo é mais uma garantia de controlo que nos impedirá de perder aquilo que já foi levantado, e ao mesmo tempo ignora se se tratou de um bom mês ou não.

É uma solução pouco ortodoxa, pelo que merece ser muito bem ponderada, e exige um grande controlo emocional inicial, mas que após alguns levantamentos rotineiros se torna habitual e funciona bem.

A opção de levantar consoante os nossos resultados é bom para quem está a iniciar a sua carreira de trader, pois torna-se um bom momento de controlo emocional, de recompensa e de consciência.

Provavelmente é a maneira mais usual de se tratar do caso dos levantamentos.

Relativamente à quantidade a levantar, no meu caso faço uma dupla valoração que atenua a minha solução pouco ortodoxa do passo anterior: retiro sempre uma percentagem da banca e não um valor fixo, logo, se o mês correu mal, sou pouco recompensado; se o mês correu bem, sou bem recompensado (e terei uma banca maior para trabalhar no período seguinte).

Para quem tem bancas maiores, geralmente opta-se por um levantamento de valor fixo.

Para quem tem bancas menores, levantar uma percentagem pode ser a melhor opção.

Que percentagem? Que valor? Isso cabe a cada um, mas 10% é um valor que conjuga lucro/satisfação/pouca influência na banca, pelo que é um valor que posso recomendar.

Outra ideia que pretendo que retenham: cada cêntimo conta. Digam isso três vezes, e releiam a linha anterior.

Muitas vezes nos deparamos com situações em que temos que fechar um red de modo a minimizar os prejuízos, mas não confundam um redbook com a minha máxima de aproveitar cada cêntimo.

Há inúmeras situações em que podemos ganhar mais mas não o fazemos por preguiça ou ímpeto desmedido.

Quantas vezes não vimos uma boa oportunidade num mercado em que não estamos a trabalhar e largamos o nosso com um redbook porque não temos paciência para esperar que corresponda?

E quantas vezes não comprámos o primeiro valor à venda porque nos pareceu um bom investimento e tivemos medo de o “perder de vista”?

Imaginemos: Um grande colosso a jogar em casa com 0-0 aos 50 minutos, mas que com as alterações de intervalo, a atitude da equipa e o background entre as duas equipas, se prevê uma vitória fácil – porquê comprar o primeiro valor?

Coloquem sempre o valor que pretendam à venda, e nunca comprem o que vos oferecem

(excepto em casos que considerem que há demasiado valor, e que se trata de um erro de julgamento do mercado, como é evidente).

Cada tick conta! Cada cêntimo pode ser um milhão no futuro!

É no poupar que está o ganho, mas aproveitar todos os cêntimos é como que uma poupança implícita.

Sem se aperceberem estão a perder dinheiro que poderiam estar a ganhar, por isso ganhar € 1000 em vez de € 999 é uma derrota, é um prejuízo, e ponto final.

Discorde quem quiser, mas na minha opinião uma vitória não é obter um bom resultado, mas sim superar esse mesmo bom resultado.

Noutro campo, a gestão abrange também os momentos de jogo, a quantidade de apostas no mesmo, e aproveitamento das variações de mercado.

É o aproveitamento máximo das variações de mercado que definem um bom trader. Exemplo: um jogo equilibrado entre Tsonga e Federer.

O mau apostador aposta simplesmente no jogador que considera melhor e fecha quando o mesmo estiver com uma odd mais baixa.

Mas principalmente num jogo de ténis o que mais se vê é a odd subir e descer inúmeros ticks de jogo para jogo, principalmente quando o jogador que está a defender marca ponto no jogo de serviço do adversário.

Ou seja, imaginemos que a odd do Federer está a 1.55. Após alguns jogos desceu e subiu entre o 1.45 e o 1.65.

O mau trader faz um back a 1.58 e um lay a 1.47 e fica contente. O bom trader faz inúmeros backs e lays dentro dos mesmos valores, triplicando o lucro, por exemplo.

Quero com isto dizer que devemos ser sempre activos ao longo do jogo, ser extremamente crítico relativamente às nossas próprias perspectivas e tentar (mais uma vez insisto) maximizar o lucro potencial com os mesmos valores.

A minha explicação é demasiado breve, mas o que interessa é a ideia de nunca parar, nunca estabelecer objectivos longos num mercado.

Não esperar por odds longínquas ou determinado acontecimento do jogo. Temos que analisar todo e qualquer momento e adaptar a nossa aposta ao momento do jogo e do mercado.

Por último, analiso a questão do risco. Como já devem ter entendido, sou adepto de um trading muito defensivo, com o objectivo de não ter prejuízo ao invés de propriamente ter lucro.

Assim sendo entendo que devemos sempre fechar a nossa posição em situações favoráveis ao nosso prognóstico.

Em caso de incerteza, fazer hedge; em caso de muita confiança, colocar todo o lucro no nosso prognóstico, e ser neutro em relação aos outros, sem fazer hedge.

A minha experiência diz que simplesmente não justifica esperar pelo resultado final.

Perdemos tempo e pior, podemos perder o nosso investimento, para além do facto de não podermos estar a utilizar aquele valor em mais manuseamento nesse mesmo mercado (ou mesmo noutro).

É simplesmente desnecessário estar à espera que acabe um jogo que está do nosso lado por 1-0 com umas odds de 1.04 (por exemplo), quando o risco é transformar um lucro em prejuízo, perder tempo, e perder margem de investimento.

Em suma, o potencial lucro (que até pode parecer garantido) não justifica o que podemos perder. Acertaram?

Fechem, continuem em frente, esqueçam, e festejem, porque já ganharam. Poderiam ter ganho mais? Sim, mas agora vamos estar a trabalhar noutro mercado e potenciar mais lucro com o mesmo valor.

Fica assim concluída uma rápida análise àqueles que considero os três pilares fundamentais no mundo do trading, de uma maneira muito sucinta, de maneira a introduzir quais as minhas perspectivas, o meu modus operandi, o meu perfil e o meu carácter como trader.

Nunca se esqueçam que o que digo não é peremptório nem objectivamente correcto.

Tratam-se de perspectivas e opiniões, que pretendo que vos tragam conhecimento, espírito crítico e gosto pelo trading.

No próximo mês começarei com técnicas básicas de trading, espero que gostem e comentem.