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Seleção: que lições tirar da derrota na Ucrânia?

A mudança do meio-campo do jogo contra o Luxemburgo para o jogo na Ucrânia no Euro 2020 revelou que, sem o seu “pilar nº8” William Carvalho, existia necessidade de dar outro peso ao sector a nível de coberturas, ocupação de espaços e, sobretudo, posse de bola mais conservadora ou controladora a nível táctico.

Seleção: que lições tirar da derrota na Ucrânia?

Por isso, Fernando Santos optou por relançar, após longa ausência na seleção, João Mário no centro, junto de Moutinho, e á frente de Danilo, numa disposição de “1×2” em que se procurava, dessa forma, para além de pressionar mais alto, guardar a bola para depois a soltar no momento certo para o ataque, onde estava Gonçalo Guedes em vez de João Félix.

Seleção: que lições tirar da derrota na Ucrânia?

Nesta outra troca, estava implícita a estratégia que passava por muitas vezes poder dar quatro médios ao espaço intermediário (meio-campo), soltando Bernardo Silva e Ronaldo na frente.

Esta ideia não foi, no entanto, bem aplicada desde o inicio em termos de sistema, porque começando num 4x3x3 muito posicional e sem força na pressão e rapidez na saída para a transição defesa-ataque, ficou preso num limbo táctico que permitiu aos ucranianos, seguros num 4x3x3 muito forte a jogar em largura e sobretudo no corredor interior em profundidade, mandar no jogo.

A mudança para 4x4x2

A Ucrânia, com este inicio de jogo mais forte e veloz, chegou ao 2-0.

Nesse momento, vendo a forma como a equipa não se conseguia articular defesa-ataque/ ataque-defesa em 4x3x3, Fernando Santos assumiu então a melhor forma de montar a ideia de joga dinâmica atrás descrita que, em termos de sistema, pedia mais um 4x4x2.

Assim foi claro ver como Fernando Santos se levantou do banco por volta da meia-hora, vendo a equipa dominada e com um “peso amarrado aos pés” sem se conseguir mexer no sistema em que estava montada, para dar a ordem de mudança para o 4x4x2, assumindo a necessidade dos quatro médios.

Um 4x4x2 em versão clássica, com Bernardo Silva e Ronaldo soltos no ataque á frente de duas linhas de quatro.

Foi mesmo com uma folha rasgada do bloco de notas e com essa nova distribuição táctica rabiscada num papel na mão, gritando por Danilo, que Fernando Santos se aproximou da berma do relvado para tentar lançar a equipa para um novo patamar exibicional.

Era, porém, difícil mudar o curso táctico do jogo em face da desvantagem no resultado que permitia então á Ucrânia poder descer um pouco o seu bloco e procurar gerir a vantagem atrás da linha da bola.

A entrada de João Félix deu maior imprevisibilidade ás movimentações ofensivas portuguesas mas, colocado muito na zona central, como segundo-avançado (enquanto que contra o Luxemburgo em 4x3x3 jogou demasiado preso á esquerda) nunca consegui fugir ás marcações e encontrar espaços de ruptura desde trás.

É muito diferente esta forma de jogar da que encontra hoje no At. Madrid, pelo que sentiu-se muito marcado por Stepanenko, sem espaços para descobrir esses espaços de penetração.

Porquê João Mário em vez de Bruno Fernandes?

É difícil entender porque Fernando Santos deixou Bruno Fernandes no banco para apostar em João Mário.

Mesmo com o argumento de segurar mais a bola, a possibilidade de Bruno Fernandes poder fazer esse papel, perto do nº6 e numa dupla de nº8 com Moutinho, garantiria uma rotação de jogo muito superior á que hoje demonstra João Mário.

Embora com isso retirando-lhe um pouco de liberdade para subir no terreno como dispõe no Sporting, a sua inteligência táctica iria permitir ao onze português ganhar mais espaços no meio-campo nos momentos de transição.

Apesar da derrota, Portugal mantem intactas as chaves do apuramento (tem de ganhar dois jogos cessíveis, a Luxemburgo e Lituânia) mas as dificuldades perante a subida de exigência competitiva com que se deparou na Ucrânia levanta questões sobre o momento táctico da seleção para além da capacidade de finalização dos avançados.

joao mario

Quando a bola não chega á frente, é necessário jogar um jogo dito “mais táctico” e esperar pelo nosso momento no jogo mas sem perder o controlo defensivo.

A ideia que Portugal calculou mal essa “noção de risco” quando não tinha o controlo do jogo e falhou timings de pressão, levou a uma derrota natural frente a uma equipa ucraniana que, embora sem as estrelas do onze português, é colectivamente mais forte a entender essas exigências do jogo.

Uma lição que pode ser importante para o cair na realidade da nossa seleção só possível frente a outras seleções também fortes. São os indispensáveis habitats de crescimento que fazem as grandes equipas.

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